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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Mísero miserável

Trilhou sem ter dado um passo. Chorou sem ter sentido da angústia o laço. Nunca foi ridículo e sentiu o embaraço. Sonhou, desejou, almejou. Em vão pois nunca lutou. Nunca tirou do rosto a máscara, nunca depiu do corpo a malha. Amou sem falar, sem beijar, sem declarar, sem sofrer. Amor parcial. Tinha o todo mas faltava-lhe tudo. Precisava de peito pra dizer à sua princesinha de cabelos cacheados que a amava. Não teve. Foi padrinho de seu casamento com outro. Necessitava de coragem para aceitar o emprego que sempre quis. Faltou-lhe. Viu o concorrente assentar-se na sua cadeira. Ganas para realizar o sonho de mochilar pela Europa por tempo indeterminado(já que seu emprego e sua amada havia perdido). Não teve, restou-lhe definhar na casa que havia sido da mãe antes dele. Passavam-lhe os dias e pela janela da palhoça murmurava contra o destino, contra a vida cruel. Como poderiam as Parcas terem sido tão duras com ele? Oh, Deus, por que me abandonaste? Por que não tenho a quem amo? Por que não tenho o que quero? Comia queijo branco mas desejava o amarelo. E ao colocá-lo na boca, voltava lamuriosamente a desejar o branco. Ao ver o sol pedia a neve e quando esta vinha, anseava de novo por ver o astro fogoso. Poderia ter sido e acontecido tantas coisas... Por que não foram?Porque as coisas não simplesmente acontecem, elas são acontecidas, buscadas, batalhadas. Se sempre desejares tudo que não tens, nunca serás feliz. Se sempre quiseres ser o que não és, nunca serás bom o bastante. Se fazes as coisas pela metade, nunca serás inteiro. Se tens medo de ser triste nunca correrás o risco de ser feliz.Apodreceu, oco, frio, sombrio. Usava o miserabilismo como sua capa protetora. Fora um coitado porque se fizera um. Quis até dar fim à sua vida porém mais uma vez traiu-se e viu passar um dia após o outro pela janela de seu túmulo-lar.






"Para ser grande, sê inteiro:/nada teu exagera ou exclui./Sê todo em cada coisa./Põe quanto és no mínimo que fazes./Assim em cada lago a lua toda brilha,/Porque alta vive."-

domingo, 13 de abril de 2008

“Tudo que quer de mim, irreais expectativas, desleais”





Coisa engraçada me aconteceu essa semana. Estava eu em plena Sampa City, no meio do vuco-vuco da 25 de março, bem quietinha no meu canto esperando minha mãe acabar de se esbaldar nas pechinchas dos comerciantes. Distraída como só eu consigo ficar, comecei a divagar nos pedaços de conversas que ouvia dos transeuntes. Até que uma hora uma me pegou de surpesa. Duas mocinhas passaram por mim e eu só escutei a primeira dizer “Nossa, como fiquei decepcionada naquela *(censura)* de encontro! O cara não era nada daquilo que eu achava!”. Então eu pensei, é minha filha, bem-vinda ao clube! Você não é a única que passou por isso não! Sei bem como é isso de decepção.
Aposto que você também sabe como é. Eu comecei a olhar em volta e pensei, putz meu, quanta gente, no meio desse formigueiro já não passou por uma dessas. Sabe, quando você tem maiores expectativas por alguém, ou por alguma coisa, um evento, uma roupa, o diabo que for, e na hora H o troço não chega nem perto do que você achava que era? É meu caro, se você também sabe como é, eu te dou as boas-vindas ao clube! Mas, eu tenho uma teoria pra isso, ainda que eu não saiba ser teórica em nenhum assunto. Não, melhor, eu tenho quase um remédio! Vamos ao diagnóstico.
Desde de o início do começo da nossa história primitiva, o homem tem se decepcionado com as coisas. Acho até que a TEORIA DO MUNDO DAS IDÉIAS de Platão foi feita depois de uma decepção do nosso greguinho famoso(provavelmente amorosa). Pense comigo. Platão diz que o mundo real, o q vivemos, é uma imitação IMPERFEITA do mundo(ou plano) das idéias, onde tudo é bom, perfeito, puro, tal-e-coisa, coisa-e-tal. é daí que vem amor PLATÔNICO, onde a pessoa ama a IDÉIA que faz da outra pessoa. Viu só como faz sentido? Pobre Platãozinho! Nem ele escapou da decepção. Mas não nos restrinjamos ao amor. Isso também acontece quando você descobre que seu pai não é o Superman. Ou quando você finalmente veste aquela roupa ma-ra-vi-lho-sa e percebe que você não é a Bündchen (que raiva!). Acontece até quando você descobre que não é o único amor do seu ex-namorado, ou a sobrinha favorita do seu tio.
A razão, o motivo de isso acontecer somos nós mesmos. Isso aí. Nós criamos as expectativas, o plano das idéias somos nós que construímos. nós nos imaginamos e criamos idéias de como os outros são, ou procederão etc e tal. Até eu fiquei decepcionada em saber que EU sou o motivo das decepções! Seria tão mais fácil se fossem os outros.... ah, os outros, eu poderia pelo menos culpá-los, me sentiria menos boba.
O que nos resta então é controlar nosso mundinho das idéias. Nada de errado com SONHAR, não entendam mal. Mas não achemos que os outros(incluindo coisas!) irão corresponder as nossas “irreais expectativas, desleais”. (IN)Felizmente vivemos no mundo real e não das idéias (valeu Platão por essa!). Então, tome cuidado pra não se machucar, principalmente com as expectativas que você criar para com as pessoas...... E com as roupas....É, as roupas também machucam.